22 agosto, 2006

20 agosto, 2006

Umore mio

Acabo de trocar a frase lá de cima. A de hoje vem da canção "Conversando no Bar" e foi escrita por Fernando Brant. Quem fez a música foi Milton Nascimento, mas a interpretação que me encanta mesmo é a da Elis Regina e está no disco (e que disco, meus amigos!) "Elis", de 1974.

Embora o verso original diga "Descobri que minha arma é o que a memória guarda dos tempos da Panair", o recado sobrevive à Panair, à Varig e a qualquer coisa que ali se ponha. A arma é o que a memória guarda. E ponto final.

Saudades do Brasil em Portugal


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"Saudades do Brasil em Portugal" (Vinícius de Moraes), com Zé Renato e Trinadus

Ausências

Em Rosário, na província argentina de Santa Fé, elas estão por toda parte. Em muros, nas ruas, na porta de uma escola, em uma fábrica abandonada ou na casa onde funcionou um centro de torturas na época da ditadura militar. Pintadas desde 1995 por Fernando Traverso, as bicicletas estão lá, como uma marca, uma cicatriz em cada parede. Por quê?
"Eu quis falar das ausências, e não poderia utilizar outro elemento que não fosse tão nobre. Porque você não pode pensar que quem usa uma bicicleta seja um oligarca ou um militar. Quem usa uma bicicleta é um trabalhador ou é filho de um trabalhador".
Traverso recorda que, durante o regime militar, os amigos que se exilavam deixavam sempre suas bicicletas penduradas nas garagens. E lembra uma história marcante que viveu.

Um dia, em 1976, devia encontrar-se com um companheiro da Juventude Peronista. Quando estavam os dois quase frente a frente, Traverso viu o colega abandonar sua bicicleta e seguir caminho, um código para indicar que havia perigo. Não se cumprimentaram, sequer se olharam. Logo em seguida, o companheiro foi seqüestrado, e permanece desaparecido até hoje. A bicicleta ficou lá, presa com cadeado.
Essa bicicleta vazia é a que todos nós deixamos. Eu também deixei a minha, na garagem de minha casa.
Por isso Traverso se pôs a desenhar bicicletas pelas ruas. Traçou como meta criar 350 delas, pois esse era, segundo a Comissão Nacional sobre Pessoas Desaparecidas, o número estimado de homens e mulheres que haviam desaparecido na cidade durante a ditadura.
Ponho-as ali com a ilusão de que voltem para buscá-las.

17 agosto, 2006

Oh!VNI

Parece coisa de outro mundo. E é mesmo!

16 agosto, 2006

Alfredo desempregado

Vocês talvez não lembrem (os mais velhos, por favor, me ajudem), mas em mil-novecentos-e-antigamente havia uma série de anúncios do papel higiênico Neve em que o, digamos, acessório era levado ao banheiro, em uma bandeja, por um mordomo bem-vestido chamado aos gritos: "Alfreeeeedooooo!".

Pois bem, acho que ele está muito perto de perder o emprego.

15 agosto, 2006

Que é isso, Che?!

Foto publicada na página 2 da edição de hoje de O Globo, com a singela legenda: "Sem perder a ternura".



Crédito: Agência EFE

Tisnar a honra? Então tá...

A ONG Transparência Brasil lançou uma campanha em que pede aos eleitores que não votem pela reeleição de políticos (não cita nomes) envolvidos nos escândalos recentes de "mensalões", "saúvas" e "sanguessugas". Está no seu pleno direito.

Mas eis que no dia 14 de agosto, ontem, o Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores resolve apresentar notícia-crime contra a Transparência Brasil. Por causa da campanha, vejam vocês. O PT alega que a organização "se excedeu". Transcrevo aqui do próprio site do partido:
O pedido destaca que o PT se baseou na "presunção da inocência", princípio constitucional brasileiro, para incluir "os nomes de deputados absolvidos por seus pares na sua chapa de candidatos a deputado federal". Segundo o pedido, assinado pelo presidente do PT de SP, Paulo Frateschi, a campanha encetada pela associação "acaba por tisnar a honra e a moral de seus candidatos". Para o presidente, a situação "inverte o princípio da presunção de inocência", pois, na lógica da campanha, "ter sobre si qualquer suspeita já significa ser culpado".
Perfeitamente. Recorrer à Justiça também é pleno direito do PT. Só discordo. E lamento. Diante disso, fico com o que diz Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil:
Não há razão jurídica que impeça qualquer cidadão ou organização de pregar ao eleitor que evite votar neste ou naquele indivíduo por qualquer razão que seja, desde que verídica.

É verídico que parlamentares foram indiciados na Justiça como réus em inquéritos relativos a escândalos como os do Mensalão, dos Sanguessugas, dos Gafanhotos e tantos outros.

Sendo verídico, nada há que nos impeça de instar o eleitor a evitar votar no gênero de indivíduo que se comporta de modo a dar motivos para sofrer indiciamento criminal.


13 agosto, 2006

Contra-informação

Até o presidente do Irã, quem diria, resolveu abrir um blog. Será que ainda é possível alguém questionar o potencial dessa ferramenta?

Só falta agora, já que virou blogueiro, aquele ilustre cidadão explicar por que há tantos blogs censurados em seu país.

12 agosto, 2006

Nunca é tarde

Calvin e Haroldo são originalmente Calvin e Hobbes. Na tradução se perde a brincadeira com os nomes do teólogo John Calvin, fundador do calvinismo, e do filósofo Thomas Hobbes. Mas isso pouco importa. Calvin é o menino: inquieto (pra usar um eufemismo), inteligente e criativo. Haroldo é seu tigre de pelúcia e amigo imaginário.

O autor da dupla, Bill Watterson, começou a publicar suas histórias em 1985. Foi assim durante dez anos, até Watterson decidir parar. Avesso à badalação e ao merchandising excessivo, preferiu não contaminar os personagens. Dizem que vive feliz. Não dá entrevistas, dedica-se à pintura e vive de forma simples e muito bem, obrigado.

A frase (ou melhor: o diálogo) que sublinha o nome deste blog durante os próximos dias é de uma tira de Calvin e Haroldo, e dedico especialmente ao Ina.

Nunca é tarde demais para conhecê-los.

Insensatez


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"Insensatez" (Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes), com Antonio Carlos Jobim e Sting. A versão, "How Insensitive", é de Norman Gimbel.

09 agosto, 2006

Desce mais!

'Happy-hour', na China, é encher o garçom de porrada.
Um bar na região leste da China está oferecendo um novo serviço contra os estresses da vida moderna. Os clientes do Bar de Liberação de Raiva do Sol Nascente podem pagar para bater à vontade nos garçons. Além disso, é permitido quebrar copos e berrar no estabelecimento.
Eu não digo que esse mundo anda cada vez mais estranho?

Legenda dos dias

O Homem desperta e sai cada alvorada
Para o acaso das cousas... e, à saída,
Leva uma crença vaga, indefinida,
De achar o Ideal nalguma encruzilhada...

As horas morrem sobre as horas... Nada!
E ao Poente, o Homem, com a sombra recolhida
Volta, pensando: “Se o Ideal da Vida
Não veio hoje, virá na outra jornada...”

Ontem, hoje, amanhã, depois, e, assim,
Mais ele avança, mais distante é o fim,
Mais se afasta o horizonte pela esfera;

E a Vida passa... efêmera e vazia:
Um adiamento eterno que se espera,
Numa eterna esperança que se adia...

– Raul de Leoni

07 agosto, 2006

Down under

Repare no canguru.

06 agosto, 2006

C'est ça

Paulo Leminski dizia mais ou menos assim:

La vie en close
C'est une autre chose
C'est lui, c'est moi
C'est ça

C'est la vie des choses
qui n'ont pas
an autre choix